Abraço-casa
Um texto de estreia, talvez sem pé nem cabeça, mas cheio de significado e saudade
Eu ansiei pelos 18 anos com toda minha força. Por sua causa. A carta de motorista seria meu passe livre pra te encontrar quando bem quisesse, sem depender de ninguém. Bastava a gente querer se abraçar.
Outro dia, estava contando pra Sofia como a gente dormia abraçada na cama de cima de um beliche de solteiro. Como ninguém caía? Talvez porque a gente cabia uma na outra, feito uma Matrioska.
Demorei um bocado pra conseguir ver fotos da Amanda sem chorar. É que eu te vejo no sorriso dela, no olhar. Tem alguma coisa ali, na imagem da sua neta, que me faz ver você. E ver você, sem ter você, dói demais.
Minha mãe me deu dois grandes presentes: você e, agora, o seu cheiro.
Ainda busco sua voz nas mensagens do WhatsApp, mas são tantos arquivos que não consigo encontrar – ainda assim, reluto em apagar, lotando a memória do computador, com medo da minha se esvaziar. Releio sua aposta na minha maternidade e lembro que estava parada na porta da sua casa, olhando para o vazio, quando uma amiga querida anunciou: deixa esse filho vir, ele quer chegar. Ele veio. E chama Pedro – é, eu sei, a vida tem dessas coisas que a gente não explica.
Hoje é dia do abraço. E eu sinto falta do teu todos os dias. A gente pensa que o luto passa, mas a verdade é que é ele quem passa uma rasteira na gente. Logo mais faz dez anos e eu ainda não descobri como viver sem teu abraço-casa.
Faz pouco tempo, Sofia me disse: “deve ser bom sentir todo esse amor”.
É bom, minha filha, é muito mais que bom.



Que lindo ❤️